Em Ijuí­, senador Cristovam Buarque defende proposta de um novo humanismo

A proposta de um novo humanismo, focado fundamentalmente nas crianças, tem feito o senador Cristovam Buarque – PDT/DF percorrer o Brasil. Esta semana ele esteve cumprindo agenda no Rio Grande do Sul e, na noite de sexta-feira,6, esteve em Ijuí, onde falou sobre “Educação, política e o cotidiano das pessoas para o despertar ideológico da sociedade contemporânea: a necessidade de um novo humanismo”. Ao final, depois de mais de 40 minutos de palestra, foi aplaudido de pé por um público heterogêneo – composto por professores, estudantes, autoridades, empresários e líderes políticos de diversos partidos – que lotou o auditório do Colégio Evangélico Augusto Pestana (Ceap). Depois, o senador foi recepcionado por trabalhistas de vários municípios da região em um jantar, no Grupo Folclórico Chaleira Preta, em jantar, por adesão, promovido pelo PDT de Ijuí.

Em Coletiva de Imprensa oferecida antes da palestra, o senador pedetista, acompanhado do presidente do PDT-RS, deputado federal Pompeo de Mattos, do líder do PDT gaúcho na Câmara Federal, deputado federal Afonso Motta, do secretário de Estado de Obras, deputado estadual licenciado, Gerson Burmann, do prefeito de Ijuí Fioravante Batista Ballin, do presidente da Câmara Municipal de Ijuí, vereador Marildo Kronbauer, do presidente do PDT de Ijuí, vereador Darci Pretto da Silva, do ex-prefeito Valdir Heck, e outras lideranças, explicou o que significa este novo humanismo, além de responder perguntas de jornalistas sobre outros assuntos. “Estou aqui para debater o Brasil, para debater a realidade na qual estamos. As dificuldades que estamos enfrentando e como sair dessa crise e construir um país diferente”, disse já no início, ao fazer uma rápida introdução sobre o tema do qual trataria logo depois. Para Cristovam, constitui-se em erro centrar o debate político apenas em como sair da crise. “Como sair da crise? Como sair da crise é, sobretudo, um problema técnico, com algumas nuances políticas. Mas fazer um Brasil diferente é um problema político, com nuances técnicas”, advertiu.

A construção de um discurso e práticas voltadas para a criança é o cerne da proposta defendida pelo senador. “O tema humanismo aparentemente foge do discurso político, mas tem muito a ver”, afirmou. Isso porque, na análise de Cristovam Buarque o vocabulário brasileiro pregou nos últimos 60 ou 70 anos o desenvolvimento, mas este desenvolvimento sustentável já não basta mais, não é suficiente. É preciso ir além. “Desenvolvimento a gente até fez”, afirmou e, para justificar isso, lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas pelo país - do Brasil é um dos maiores do mundo, a renda per capita, embora não seja uma das maiores na comparação com outros países, já ultrapassa a casa dos dez mil dólares e, mesmo que não seja aquela que o brasileiro deseja, o país tem uma infraestrutura.

Mas nada disso não é suficiente, segundo o senador, porque houve muitos e sérios pecados nesse processo todo. “Não fizemos um país civilizado! Um país pacífico, um país educado, um país sem desigualdade, não fizemos!”, justificou e, justamente, por isso, na visão do professor, especialista na área da Educação, é que o Brasil precisa de algo novo. E, é esse algo novo que ele gosta de chamar de novo humanismo. Um projeto que traga, por exemplo, o problema do meio ambiente que, segundo Cristovam, não está nas preocupações do desenvolvimento. “Tem que aumentar a produção, mas tem que ser a produção com equilíbrio ecológico”, diz.

Esse humanismo precisa trazer, ainda de acordo com o senador, o problema da desigualdade, mas não na mesma ótica daquela igualdade incorporada pelo atual projeto de desenvolvimento. Tem que ser algo inovador, capaz de realmente reduzir as desigualdades. “Acho que não mais com o objetivo de uma ilusória, falsa, e ao mesmo tempo autoritária igualdade plena como se propunha antigamente, que terminou tirando a liberdade para dar igualdade e, nem deu igualdade e nem deixou liberdade”, afirmou.

Na avaliação do senador, esse novo humanismo precisa ter como propósito, no futuro, não a classe política, não a classe social como os trabalhadores, o proletariado, mas estar focado nas crianças. “São elas [as crianças] que vão construir o futuro. É um humanismo diferente, aquele que olha o problema futuro na ótica das crianças e não de uma classe social”, assegurou. Mais tarde, durante a palestra, Cristovam Buarque voltou ao assunto e afirmou que o Brasil precisa fazer uma revolução, não uma revolução armada, mas aquilo que ele mesmo classificou de “revolução doce”, a revolução da educação. “O Brasil não pode desperdiçar nenhum cérebro e precisa aproveitar igualmente todos os cérebros”, sentenciou.

Publicação: 17/11/2015


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