Há 30 anos, a vitória no Rio de Janeiro.

Há 30 anos atrás, em 1982, na primeira eleição para governador depois da ditadura militar - Leonel Brizola venceu, na raça, as eleições no Rio de Janeiro. Contra tudo, contra todos e contra a fraude. Recentemente o "Canal Brasil" apresentou um documentário sobre aquela campanha histórica, comparada pelo próprio Brizola com a campanha que levou Getúlio Vargas à presidência da República, em 1950. O PDT recém se organizara e se registrara, Brizola acabara de perder a sigla PTB para Yvete Vargas e, por isso mesmo, a sua campanha para o governo do Rio de Janeiro (foto) em 1982 foi espetacular.
Quem viveu e participou daquela campanha recorda-se perfeitamente da explosão do eleitorado para eleger Brizola - verdadeira expressão da oposição a tudo o que se tinha vivido ao longo dos duros anos da ditadura militar, enquanto os outros candidatos se faziam de oposição de mentirinha ao regime militar que vivia seus estertores. Todos estavam na mesma rosca, como dizia Brizola naquela campanha. E o povão entendeu a sua mensagem e, voluntariamente e de forma organizada, mergulhou de cabeça na campanha para eleger Brizola como fosse possível. Não havia material de propaganda, não existiam faixas, cartazes, nada. Só um boné, vermelho, com a frase - "Brizola na cabeça" bolada pelo publicitário e também candidato pelo PDT a deputado federal, naquela eleição, Wagner Teixeira.
Foi a verdadeira campanha do tostão contra o milhão, como explica o apresentador do vídeo que lembra – muito – o documentário feito na época intitulado “Na Cabeça e no Coração”, exatamente sobre a campanha eleitoral de 1982 - feito por um militante do PDT. Além dele próprio, graaças ao voto vinculado Brizola elegeu os dois candidatos do PDT ao Senado, Darcy Ribeiro e Saturnino Braga, além de fazer maioria na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Naquela eleição Brizola fez, como gostava de dizer, “barba, cabelo e bigode” nos seus adversários.
O plano "b" dos saudosistas da ditadura foi tentar a fraude eleitoral através da firma de informática Proconsult, contratada pelo TRE-RJ para somar os votos, mas que era na sua maioria constituida e administrada por arapongas do Serviço Nacional de Informações (SNI) - que contavam, com a ajuda da Justiça Eleitoral, eleger o candidato governista Welington Moreira Franco via fraude eleitoral. 
 No vídeo do Canal Brasil aparecem diversas personalidades que ajudaram Brizola naquela campanha, como Chico Buarque de Holanda, e eleitores anônimos, além de muitos e muitos militantes do PDT, os grandes responsáveis pela virada e pela esmagadura vitória eleitoral. Consolidada graças ao trabalho fantástico da Rádio Jornal do Brasil, comandado por Procópio Mineiro da Silva, recém falecido: e pelo Jornal do Brasil, na época editado por Paulo Henrique Amorim - hoje o grande crítico da mídia brasileira, que Brizola apelidou de "partido único".
Em 1982 Brizola partiu de 0% nas pesquisas eleitorais para a vitória estrondosa sobre todas as máquinas: a da ditadura, que apostava suas fichas no candidato Wellington Moreira Franco pelo PDS; a máquina do chaguismo, que tinha em Miro Teixeira, hoje no PDT, as suas esperanças; e na máquina dos oportunistas do PTB, que marchou com Sandra Cavalcanti - candidata inicialmente favorita no pleito, atropelada por Brizola e pela verdade eleitoral que se impôs à tentativa de fraude da Proconsult.
É bom lembrar, nesses tempos de urnas eletrönicas que o TSE garante serem "100% seguras", que 1982 foi o primeiro ano em que computadores foram usados no somatório de votos no Brasil - e é exatamente na eleição do Rio de Janeiro que ocorreu a primeira tentativa de fraude via informática. Fraude que tinha no chamado “diferencial Delta” a esperança de vitória: o diferencial Delta foi uma tentativa de desviar parte dos votos de Brizola e os nulos e brancos, na hora da soma no computador, para o candidato governista Moreira Franco.
A patranha não deu certo porque Brizola botou a boca no mundo, convocou uma coletiva com a imprensa estrangeira e denunciou o que estava acontecendo. Brizola também denunciou a conivëncia da Rede Globo de Televisáo e do Jornal O Globo com a fraude. Foi a partir dessa denuncia concreta que surgiu nas passeatas do Rio o slogan: "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!".
Ainda neste vídeo aparecem, entre outros, o então líder metalúrgico Luiz Inácio da Silva – que disputou o governo de São Paulo também nas eleições de 1982, mas que ao contrário de Brizola, não se elegeu e o seu recém fundado PT não passou de sexto colocado no pleito de São Paulo. Aparece MOreira Franco, aparece Miro Teixeira e aparecem os grandes heróis daquela eleição, os eleitores anônimos que, ao lado de Brizola, lutaram para que a verdade das urnas prevalecesse. 
Fonte: por Osvaldo Maneschy | 4 de janeiro de 2012

            www.pdt.org.br

Publicação: 30/01/2012


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